6# MEDICINA E BEM-ESTAR 18.3.15

     6#1 O QUE UMA HORA A MAIS DE SONO PODE FAZER POR VOC
     6#2 OS ESCONDERIJOS DO HIV

6#1 O QUE UMA HORA A MAIS DE SONO PODE FAZER POR VOC
Pesquisas revelam que apenas sessenta minutos extras de descanso por dia fazem enorme diferena para a sade
Mnica Tarantino e Paula Rocha

Dormir o tempo adequado para que o corpo se mantenha em bom funcionamento  uma lio aprendida pela medicina. Agora, o que surge com clareza indiscutvel  que no precisa muito: apenas sessenta minutos a mais de sono por noite fazem diferena importante. Uma das ltimas constataes neste sentido  resultado de pesquisa da Penn State University (EUA). O cientista Fan He registrou os padres de sono de 342 adolescentes. Descobriu que para cada hora de diferena de sono no padro de cada um ao longo de uma semana  um dia dormir cinco horas, em outro sete, por exemplo -, eles consumiam 210 calorias a mais por dia. Os que apresentavam ritmos mais caticos tinham 100% de risco de passar o fim de semana mordiscando petiscos.

VIGILNCIA - O garoto Joo Gabriel agora tem um limite de horrio para usar o celular  noite

Em alguns casos, somente meia hora a mais de sono por dia j  suficiente para interferir na sade. O tempo aumenta a proteo contra a evoluo da diabetes e o ganho de peso, como revelou estudo do mdico Shahrad Taheri, da Weill Cornell Medical College (unidade do Catar). Ele acompanhou 522 portadores de diabetes tipo 2 e identificou uma propenso 72% maior  obesidade no grupo que dormia menos. Ao final de doze meses, para cada trinta minutos a menos de sono, o risco crescia mais 17%. E a chance de agravamento da resistncia  insulina subia 39%. O fenmeno  uma das caractersticas da diabetes tipo 2. Ocorre quando no h a ao correta da insulina, o hormnio que permite a entrada, nas clulas, da glicose circulante no sangue.

Estuda-se a razo pela qual esses minutos a mais produzem tanto impacto. Uma pesquisa da Universidade de Surrey, na Inglaterra, sugeriu que eles estejam associados a mudanas no funcionamento de cerca de 500 genes, muitos envolvidos em processos inflamatrios. Outra linha de investigao revela o vnculo entre dormir e mecanismos relacionados  fome. Estudos sugerem que alteraes nos padres de sono esto relacionadas a variaes nos nveis de hormnios associados  fome e  saciedade, diz o neurologista Leonardo Goulart, do Hospital Israelita Albert Einstein (SP).

Evidncias desse gnero levaram a Fundao Americana do Sono a formular uma nova tabela de horas mdias necessrias de sono de acordo com a faixa etria (leia quadro abaixo). Em mdia, houve acrscimo de uma hora. O tempo de sono mnimo para recm-nascidos, por exemplo, subiu de 14 para 17 horas por dia. Para adolescentes entre 14 e 17 anos, foram adicionados trinta minutos ao tempo ideal, agora estabelecido entre oito a dez horas.

 uma media longe de ser atingida entre esse pblico. Em pesquisa do Instituto de Pesquisa e Orientao da Mente em parceria com o Instituto Sou+Jovem, 43% dos 1.830 adolescentes ouvidos disseram dormir de trs a cinco horas por noite. Um dos viles que fomentam esse descontrole  o uso de aparelhos eletrnicos na madrugada. Na tentativa de melhorar a qualidade do sono de Joo Gabriel, de onze anos, a empresria Laura Tidei, de So Paulo, resolveu vigiar o garoto at que ele durma. Caso contrrio ele fica mexendo no celular, conta.


6#2 OS ESCONDERIJOS DO HIV
Pela primeira vez, cientistas enxergam pontos do corpo onde o vrus causador da Aids pode estar escondido, imune aos remdios 

Pesquisadores da Emory University, nos Estados Unidos, anunciaram na ltima semana um passo importante em direo ao melhor controle da Aids. Eles conseguiram, pela primeira vez no mundo, usar um exame de imagem para identificar os locais do corpo onde o HIV, o vrus responsvel pela doena, pode continuar a se esconder mesmo depois de iniciado o tratamento com as drogas antiretrovirais. Encontrar esses esconderijos  uma etapa fundamental rumo  cura da doena. Hoje, apesar da extrema eficcia do coquetel de drogas e de muitos pacientes apresentarem nveis de carga viral muito baixas, sabe-se que concentraes de vrus permanecem presentes em diversos pontos do organismo. So os chamados reservatrios. A grande dificuldade  mape-los e criar formas de destruir o HIV dentro deles.

OBSTCULO - Concentraes de HIV permanecem em estado latente no organismo, impedindo a cura

O mtodo testado foi o PET Scan, um dos exames de imagens mais modernos disponveis. O experimento foi feito em macacos portadores do SIV submetidos  terapia antiviral. O SIV  um vrus considerado uma espcie de HIV de macacos por apresentar caractersticas muito semelhantes ao agente que ataca os seres humanos.  usado de forma padro nos estudos sobre a Aids que antecedem a etapa das pesquisas em pessoas. O corpo todo das cobaias foi mapeado. O retrato revelou a presena de uma protena associada ao vrus em pontos como o nariz, rgos reprodutivos, rins e pulmes. A tcnica nos permitiu detectar reas que at hoje haviam recebido pouca ateno, disse  ISTO Francois Villinger, lder do trabalho. Anlise feita aps a morte dos animais comprovou a presena do vrus em clulas dos locais apontados pelo PET Scan.

O cientista est otimista em relao ao potencial do exame para contribuir com a cura. Poderemos us-lo para descobrir a presena residual do HIV em pacientes que tomam os remdios, acredita. E tirar a medicao pouco a pouco quando for possvel. Villinger e seu time j preparam o teste de eficcia do PET Scan para visualizar o HIV em seres humanos.

